terça-feira, 13 de maio de 2008

120 anos da Lei Áurea


Se você for negro, a probabilidade de você não ler este post é grande. 70% dos analfabetos no Brasil são negros. Apenas 22% dos estudantes de ensino superior em idade adequada são negros. Ok, ok, você consegue ler este post, mas você deve ser um capacho, pois a possibilidade de você ter algum cargo de chefia é menor ainda, somente 4%. Ok, ok, considerando que você não é um analfabeto, ter feito ensino superior e exercer um cargo de chefia, dane-se, pois o branco ao seu lado, que faz o mesmo serviço, ganha 40% a mais. E não adianta se revoltar. Aproveite a sua vida melhor com outras coisas, divirta-se! Até porque, a possibilidade de você passar dos 60 anos é de somente 8%.

Enquanto isto, o Estatuto da Igualdade racial tramita no Congresso Nacional. Nossos legisladores, desde a época do Império, ainda pensam que podem modificar o cotidiano racista de nossa sociedade através de leis. Viva a Lei Áurea!

5 comentários:

Anônimo disse...

Ingenuidade achar que o racismo tem remédio, qualquer que seja. Sou branco, bem branco, cresci na periferia de uma cidade mineira, e passei minha infância e puberdade sendo perseguido pelos negros e mulatos, maioria no meio em que vivia. Porquê? Não sei, talvez pelo fato de a minha mãe, que criou a mim e ao meu irmão sozinha, ter conseguido comprar um chevetinho bege. Enquanto ela passava os finais de semana estudando, ou descansando, os pedreiros, chapas e etc do lugar passavam gastando o dinheiro da semana no boteco, tomando pinga e espancando seus filhos e mulheres, e seus filhos perseguindo a mim e meus amigos de classe média baixa.

Hoje o maior algoz que tive naquela época é presidiário. É porquê é negro? Bem, fora o fato de ser negro, é ladrão de carro, estuprador, ladrão de residências, vários homicídios tentados, fumador de crack, e, com certeza, muitos outros atributos.

Tadinho, não teve oportunidade. Não teve a oportunidade que teve, por exemplo, a minha mãe, a oportunidade de ter trabalhado na roça de café e arroz quando criança, depois ter ido, sem qualquer apoio que seja, financeiro, moral, espiritual, sozinha, aos 18 anos, para belo horizonte buscar alguma melhora na vida. Mulher, sozinha, sem um puto, em 1970.

Já eu, que graças ao esforço da minha mãe tive a oportunidade de fazer o segundo grau em escola privada, e graças ao meu, frequentar duas universidades federais, luto hj p/ fazer mestrado, mas dependo de bolsa p/ isso. O problema é que sou muito branco p/ as bolsas... elas são direcionadas preferencialmente aos negros e indígenas.

Será esse o caminho?

Em que essas chamadas discriminações positivas podem ajudar ao desenvolvimento do país, à melhora de vida da população, inclusive dos próprios negros e outros ditos injustiçados?

Por acaso o salário de um negro vai crescer se ele só entrou na universidade por causa de cota? Quem vai querer pagar o mesmo valor de salário a alguém que não mostrou a mesma competência que os outros? Esse estatuto racista que está p/ ser parido só vai piorar a situação: acirrar a hostilidade entre os que se consideram negros e o resto, pois estes ficarão ressentidos pelas oportunidades perdidas para pessoas com desempenho inferior, e aqueles passarão,cada vez mais, a se julgarem superiores, detentores do direito de serem privilegiados com cotas em universidades, bolsas preferenciais, cotas em concursos públicos, etc.

Hoje, se um negro me chama de branco, brancão, alemão, branquelo, magrelo, gordo, careca, fedorento, ou qualquer outra coisa ligada ao meu corpo, é um indiferente penal. Mas se eu responder e chamá-lo simplesmente de negro, é crime qualificado.

Se um negro famoso aparece da televisão dizendo que tem orgulho da raça e por causa disso não se envolve, não sente atração, não acha bonito, um branco, é aplaudido como herói, modelo, sei lá, como faz a Taís Araújo, mulher do Lázaro Ramos. Mas se alguém ouvir vc, branco, dizendo numa roda de buteco que gosta é de loira, que acha negra feia, pode ser preso por racismo. Dificilmente será condenado, mas pode facilmente ir p/ a delegacia e aguentar todo o constrangimento.

A situação é muito absurda. Você não pode deixar de contratar alguém, por exemplo, pelo fato de ser negro, sob pena de, mais uma vez, ir preso. Mas se contratar só por esse atributo, além de não ser nenhum crime, ainda é motivo de aplauso... Quer dizer, deixar de contratar alguém porque é branco (contratando outro no lugar porque é negro) não é problema nenhum. Isso é a afirmação do racismo, e todas as ações nesse sentido só podem ter um efeito: o de acirrar a luta entre as diferenças eo de acomodar, ainda mais, os beneficiários de tais programas.

Veja-se, como exemplo, o dado citado no post: 70% dos analfabetos são negros. No entanto, os integrantes dos movimentos negros, com seus penteados e indumentárias jamaicanos (?!), fazem pressão por cotas em universidades, mas nunca vi pressionarem pela melhor alfabetização. Afinal de contas, o que é mais fácil? aprender a ler direito e fazer conta, estudar anos, se submeter a um processo seletivo, entrar na universidade, se formar, e tentar vencer no mercado, ou simplesmente receber a vaga na universidade e depois em algum programa do governo, seja em órgãos públicos ou até mesmo em empresas - se for incompetente, não pode nem ser despedido, porque, do jeito que as coisas vão, o patrão corre o risco de ser processado por ter demitido um negro.

Anônimo disse...

Ok cara, você também é um sofredor e um vencedor. Mas acredite: é muito mais comum ser um lutador, e raro ser um vencedor SENDO NEGRO neste país. E (até por seres branco, na boa), você talvez jamais consiga entender isto. E chega de neologismos: políticas afirmativas são uma obrigação reparadora do Estado. E quem diz isto não são os negros, ou índios, sei lá.. é nossa própria HISTÓRIA.
Recomendo-te a leitura. Negros ou não, somos todos parte desta História. Informe-se melhor antes de cair no buraco sem fundo do senso-comum.

Anônimo disse...

Ah, vc me recomenda a leitura? E eu te recomendo pensar por si próprio, usar seu raciocínio pra ter uma abordagem crítica do mundo, e não repetir o que outras pessoas pensam, sem acrescentar.
Desvios da questão principal, colocações genéricas (neologismos?), nenhuma argumentação assertiva sobre a questão, com afirmações que supostamente devem ser tomadas como dogmas, tipo "políticas afirmativas sào uma obrigação do Estado", não resolvem o problema. Isso sim é senso comum.
Porquê é uma obrigação do Estado? Obrigação do Estado é perseguir o bem comum do povo, e a única forma admitida num Estado Democrático de Direito para se atingir esse fim é o cumprimento da Constituição, que não autoriza o oferecimento de oportunidades a uns em função da exclusão de outros que também precisam e, portanto, nesse ponto são iguais, e como tal devem ser tratados.
Como você disse, todos somos parte da história - preconceito racial faz parte da "personalidade coletiva da sociedade", é composta por todos, inclusive pela metade negra do povo brasileiro. Porquê uma metade deveria pagar pelo racismo que é de um todo? Porque é mais rica? Bem, então o critério tem que ser econômico, e não racial. Aliás, só assim é que os prejudicados por um programa de "reparação" seriam os descendentes ou herdeiros daqueles que usaram de escravos negros p/ enriquecerem há um século atrás. Essas pessoas, em tese, é que são miolionários por herança dos frutos da escravidão, e não a classe média que, socialmente, é quem paga quase toda a conta.
A suposta dívida histórica só poderia ser causada pela escravidão, e não pelo fato de existir preconceito, porque quem é preconceituoso é ao mesmo tempo autor e vítima dele. Todos são culpados pela existência de preconceito.
E quanto aos frutos da escravidão, é bom lembrar que, segunda a tão enaltecida HISTÓRIA, o maior traficante de escravos do Brasil não foi um branco, foi um baiano negro. Vários negros se beneficiaram com o tráfico negreiro.
Encarar a questão pelo prisma dualista do "branco contra negro" é um preconceito racial totalmente errado e irracional (aliás, a rigor é justamente esse preconceito que tornou possível a legitimação moral da escravidão do negro no mundo todo naquela época).
A grande maioria dos brancos, assim como os negros, também não fazem parte da elite econômica do Brasil.
Assim como, no auge da escavocracia, a sociedade não era dividida entre negros escravos e brancos seus donos. Apenas uma elite econômica era senhora de escravos - a grande maioria dos homens e mulheres livres, brancos ou negros, não eram senhores de escravos.

Quanto às dificuldades que um negro enfrenta em sua luta no Brasil, você acha que um negro rico (sim, existem, muitos) as enfrenta?

A questão é sócio-econômica, não racial.
E sim, sei que a desigualdade social dentro da metade negra do país é mais acentuada que entre os brancos. Isso só comprova que os maiores beneficiados por programas que combatam as desigualdades de renda são os negros, com a diferença que não há a discriminação por critérios "raciais".
Aliás, uma mostra de quão errôneas são as "ações afirmativas" é o critério de aferição do requisito "ser negro". Tentaram com uma declaração do interessado (!!) lá no RJ. Depois, na UnB, apareceu a junta interdisciplinar que vai dizer se o cara é negro ou não (!!!!!!!!). Queria ver os parâmetros... será que existe um percentual mínimo de melanina por cm² de pele ou de cabelo? ou talvez as medidas do tamanho e formato do nariz, ou da boca, ou do crânio, a forma de se vestir, o penteado... Isso é muito surreal, não vejo como não enxergar isso como uma afirmação e institucionalização do preconceito racial. Além de ser inútil para a diminuição da desigualdade social, um sistema assim permite que um filho do Bill Gates (dono da Microsoft) com a Naomi Campbell (topmodel internacional, milionária, negra e linda) nascido no Rio de Janeiro, seja admitido como estudante da UnB ou UFRJ pelo sistema de cotas, ou seja, deixando fora da universidade vários brancos, talvez até um morador da favela, com desempenho superior no processo de admissão a que todos estão sujeitos. Justo, não é?

Anônimo disse...

Nossa, o cara se empolgou o.o

Mas gosteeeii, palmas pra ele!

*clap* *clap*

xD

Anônimo disse...

Ok, "primeiro anônimo".
Respeito sua opinião, apesar de achá-la uma forma - muitíssimo recorrente - de desresponsabilizaçao que nossa classe média se ocupa diante desta e de outras tantas questões.
A leitura que eu recomendava (e que não citei), pode ser a do Manifesto pela Integração Racial enviado ao STF, em resposta a um outro que se coaduna a sua posição e que contou com 113 assinaturas, como a de "intelectuais" do gabarito de Caetano Veloso. Este a que me refiro, e que pode ser facilmente encontrado na rede via google, foi assinado por quase 5 mil pessoas! Ele resume a contento idéias e pensamentos que circulam por aí há muitos anos, e que discutem muitas das prerrogativas levantadas por você. Vale a pena dar uma olhada, ao menos para reforçar nossas opiniões, sejam elas quais forem.